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O Comportamento das pessoas apaixonadas

# O Comportamento das Pessoas Apaixonadas

O Comportamento das Pessoas Apaixonadas

Porque a paixão é uma das mais belas e misteriosas aventuras que o coração humano pode viver.

Por: Psicóloga Maristela Vallim Botari — CRP-SP 06-121677


O Comportamento das Pessoas Apaixonadas

O comportamento das pessoas apaixonadas é algo verdadeiramente intrigante. Para quem observa de fora — sem estar envolvido nessa tempestade de emoções — a pessoa apaixonada pode parecer doente, insana, maluca, completamente fora de si. 

É como assistir a um filme em que o protagonista faz as escolhas mais improváveis, ri sozinho olhando para o celular, tropeça em próprios pés e parece viver em um mundo paralelo.

Mas para quem está vivendo na pele o calor de uma grande paixão, o cenário muda completamente. 

As pessoas apaixonadas relatam que sentem como se estivessem flutuando — como se o chão tivesse perdido a solidez e cada passo fosse dado sobre nuvens cor-de-rosa. 

Vivem em um mundo irreal, onde as cores parecem mais vivas, as músicas mais significativas e cada pequeno detalhe do cotidiano ganha um novo sentido.

Tendem a ter comportamentos que, às vezes, beiram o ridículo — ou mesmo o insano. Falam do ser amado para qualquer pessoa que esteja disposta a ouvir (e até para quem não está). Releem mensagens antigas dezenas de vezes, encontrando significados ocultos em cada vírgula. Perdem o apetite, o sono e, por vezes, a noção do tempo. Olham para o celular a cada minuto, como se o mundo pudesse acabar caso uma mensagem não seja respondida imediatamente.

A paixão é como uma febre que arde deliciosamente — e, como toda febre, pode alterar a percepção da realidade. Quem está apaixonado enxerga o outro através de lentes cor-de-rosa, minimizando defeitos e amplificando qualidades. É como se o ser amado fosse uma obra de arte única, esculpida pelos deuses especialmente para encantar.

Os apaixonados fazem planos mirabolantes. Imaginam viagens que talvez nunca aconteçam, filhos que talvez nunca existam, uma vida inteira que ainda está por ser construída. Escrevem mensagens que não enviam, ensaiam declarações que não fazem, criam cenários em que tudo termina em um final feliz digno de contos de fada.

E há ainda aqueles que fazem verdadeiras loucuras: atravessam cidades, mudam rotinas, abandonam hábitos. Tudo em nome desse sentimento avassalador que, para quem está de fora, parece inexplicável — mas para quem está dentro, é a coisa mais lógica e natural do mundo.

Sim, estar apaixonado pode impactar significativamente o comportamento, os pensamentos e as emoções. Muitas pessoas relatam uma sensação de paz, bem-estar emocional e uma felicidade quase indescritível — como se o mundo finalmente tivesse encontrado seu eixo. Esse estado pode parecer totalmente benéfico — e, em muitos aspectos, realmente é. No entanto, existe também um contraponto importante.

De acordo com a pesquisadora Helen Fisher (2004), uma das maiores estudiosas do amor romântico, as pessoas apaixonadas tendem a perder parcialmente o senso crítico e, em alguns casos, podem cometer deslizes impulsivos — como um navegador que, encantado pelo canto das sereias, esquece de consultar a bússola.

Neste artigo, vamos ampliar a compreensão sobre o tema, sem a pretensão de esgotá-lo — porque, afinal, o amor é um oceano profundo demais para ser compreendido em sua totalidade.


Índice

  1. O que é a paixão?
  2. Como pensam e agem as pessoas apaixonadas
  3. Como controlar essa avalanche de sentimentos
  4. Quando a paixão vira doença
  5. Considerações Finais

1) O que é a paixão?

Segundo a antropóloga e pesquisadora Helen Fisher, em pesquisas publicadas a partir da década de 1990, a paixão pode ser compreendida como um sistema biológico poderoso, relacionado ao mecanismo de recompensa do cérebro — é um fenômeno neuroquímico. É como se o cérebro, ao encontrar alguém especial, acionasse uma cascata de reações que transformam completamente a forma de perceber o mundo.

Quando alguém se apaixona, pode ocorrer uma intensa atividade cerebral associada à liberação de substâncias como:

• Dopamina — ligada ao prazer, motivação e sensação de recompensa. É como uma fonte mágica que jorra felicidade a cada pensamento sobre o ser amado.

• Noradrenalina — relacionada ao aumento da energia, excitação e atenção focada. Explica aquela sensação de estar sempre alerta, pronto para qualquer aventura.

• Serotonina — que pode sofrer alterações, contribuindo para pensamentos recorrentes sobre a pessoa amada. É por isso que a mente insiste em voltar ao mesmo assunto, como um disco que toca a mesma música repetidamente.

Essas alterações ajudam a explicar por que a paixão pode provocar euforia, aumento da energia, perda de apetite, insônia e uma sensação de foco quase obsessivo no ser amado.

Do ponto de vista biológico, a paixão funciona como um impulso que direciona o indivíduo para a conexão com o outro — como uma força da natureza que empurra dois rios para o mesmo oceano.


2) Como pensam e agem as pessoas apaixonadas

Em função dessas reações químicas, as pessoas apaixonadas tendem a pensar mais no ser amado e menos nas questões práticas da vida. Seus pensamentos tendem a girar em torno da pessoa desejada: lembranças, mensagens, planos futuros e idealizações tornam-se constantes — como um filme que passa repetidamente na tela da mente, sem que ninguém consiga desligar o projetor.

Não que isso esteja necessariamente errado. A paixão pode aumentar a criatividade, a disposição e até a coragem para enfrentar desafios. Muitos descobrem talentos escondidos, escrevem poesias, compõem músicas, pintam quadros. É como se a paixão fosse um combustível que alimenta a alma e faz florescer o que estava adormecido.

Entretanto, é preciso reconhecer que, nesse estado, o senso crítico pode ficar temporariamente reduzido. A idealização do outro pode levar à minimização de defeitos e à supervalorização de qualidades. Pequenos sinais de alerta podem ser ignorados — como um navegador que, encantado pela beleza do horizonte, não percebe a tempestade se formando ao longe.

Além disso, a tomada de decisões pode se tornar mais impulsiva. Mudanças radicais, promessas precipitadas e comportamentos de risco podem surgir quando a emoção fala mais alto que a razão. É como se a voz do coração abafasse completamente a voz da prudência.

Por isso, embora a paixão seja uma experiência enriquecedora, é saudável manter certo equilíbrio entre emoção e racionalidade — como um dançarino que, mesmo entregue à música, mantém os pés firmes no chão.


3) Como controlar essa avalanche de sentimentos

Eu sei que pode parecer pouco romântico o que vou dizer, mas precisa ser dito: é necessário usar a razão para perceber possíveis exageros.

Controlar a paixão não significa sufocar o sentimento, mas sim administrá-lo com consciência. É como domar um cavalo selvagem: não se trata de impedi-lo de correr, mas de guiá-lo para que a corrida seja prazerosa e segura. Algumas atitudes para observar:

• Você está abrindo mão de valores pessoais importantes? — Como um herói que, para agradar alguém, esquece os próprios princípios. Isso merece atenção.

• Manter a própria rotina — Amigos, trabalho, estudos e hobbies não devem ser abandonados. Eles são as âncoras que mantêm a identidade firme mesmo em meio à tempestade de emoções.

• Evitar decisões impulsivas — Grandes mudanças merecem reflexão. Como diz o ditado, é preciso olhar antes de saltar.

Quando a lucidez parece difícil de manter, o conselho de amigos e familiares pode ser extremamente valioso. Pessoas de fora da relação tendem a ter uma visão mais equilibrada da situação — como quem observa o quadro de longe e consegue enxergar detalhes que o pintor, imerso na obra, não percebe.


4) Quando a paixão vira doença

Infelizmente, algumas pessoas deixam a paixão galopar até se transformar em um amor patológico, caracterizado por dependência emocional extrema, anulação da própria identidade e atitudes autodestrutivas para agradar o outro. É como uma flor que, para se manter viva, precisa sugar toda a seiva de si mesma.

Nesses casos, buscar ajuda emocional pode ser um caminho importante para compreender o que está acontecendo internamente — porque reconhecer que algo não vai bem é o primeiro passo para reencontrar o equilíbrio.


Considerações Finais

A paixão é uma das experiências humanas mais intensas e transformadoras. Ela pode trazer felicidade, motivação e crescimento pessoal. Ao mesmo tempo, pode reduzir o senso crítico e levar a comportamentos impulsivos — como um barco que, impulsionado por ventos fortes, precisa de um timoneiro atento para não se perder.

Equilibrar emoção e razão talvez seja o maior desafio de maturidade — quando se trata de amar. Porque o amor verdadeiro não é aquele que cega, mas o que ilumina — permitindo que dois seres caminhem juntos, cada um com sua própria luz, mas compartilhando o mesmo caminho.

Como a psicóloga pode ajudar nesse processo

Na psicoterapia, o trabalho é organizado de modo a possibilitar a identificação de padrões emocionais e comportamentais que se repetem ao longo da história do indivíduo, afetando relacionamentos, autoestima ou bem-estar emocional. Também envolve a análise das circunstâncias em que determinadas reações surgem, incluindo seus contextos e possíveis gatilhos.

São examinadas as formas de interpretação das situações e a maneira como a pessoa se percebe dentro de suas relações. Recursos psicológicos de enfrentamento podem ser explorados dentro do enquadre clínico, assim como questões relacionadas a posicionamento pessoal e clareza interna.

O processo é conduzido de maneira individualizada, considerando a singularidade de cada trajetória e o ritmo próprio de elaboração.

Atendimento em Terapia Cognitivo-Comportamental com Acolhimento Humanizado.

Importante destacar que a psicoterapia não substitui cuidados médicos quando necessários, nem elimina completamente emoções difíceis — que fazem parte da experiência humana. Em vez disso, ela pode oferecer um momento estruturado para elaborar vivências, ampliar perspectivas e construir novas possibilidades de resposta diante das dificuldades.

Psicóloga SP Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677

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Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) com Acolhimento Humanizado

Avenida Paulista, 2001 - São Paulo/SP | Atendimento Online e Presencial.

Considero como relevantes para a compreensão da pessoa, seus aspectos sociais, culturais e históricos, elementos que compõe a totalidade de um indivíduo.

Considero que somos mais do que a soma das partes, e meu trabalho consiste em ajudar o cliente a montar o quebra-cabeça da vida, juntando peças, que aparentemente não fazem sentido separadamente.

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