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A prática da Gratidão - Psicóloga explica

A prática da Gratidão - Psicóloga explica

Introdução

Que fique claro: Quando falamos de gratidão, não estamos nos referindo a uma expressão vazia, automática ou sem propósito — tampouco a uma tentativa de forçar reconhecimento por aquilo que, de fato, não nos atravessa ou não faz sentido.

Estamos falando de algo mais profundo.

A gratidão, nesse contexto, diz respeito a um sentimento genuíno de reconhecimento pelas experiências positivas que vivenciamos, pelas relações que nos sustentam e pelas circunstâncias que, de alguma forma, favorecem nosso caminho.


A prática da Gratidão - Psicóloga explica
A prática da gratidão é um habito poderoso e comprovadamente benéfico para a saúde mental e  relacionamentos  

A prática da gratidão — Psicóloga explica

A prática da gratidão é um hábito simples, porém profundamente transformador. Diversos estudos em Psicologia indicam que cultivar a gratidão está associado a benefícios consistentes para a saúde mental, bem como para a qualidade dos relacionamentos interpessoais.

 

A GRATIDÃO NA PSICOLOGIA


A gratidão está conectada a traços de personalidade ligados ao comportamento pró-social. Pessoas gratas tendem a ser mais amáveis e menos narcisistas, incapazes de expressar gratidão devido à dificuldade em admitir dependência dos outros

A gratidão na Psicologia

Na perspectiva psicológica, a gratidão está frequentemente relacionada a traços de personalidade ligados ao comportamento pró-social. Pessoas que exercitam a gratidão tendem a demonstrar maior empatia, amabilidade e sensibilidade às relações humanas.

Por outro lado, a dificuldade em expressar gratidão pode estar associada a traços como o narcisismo ou a uma necessidade intensa de autossuficiência. Nesses casos, reconhecer o apoio ou a contribuição do outro pode ser vivido como uma ameaça à própria autonomia, o que dificulta a vivência genuína desse sentimento.

Além disso, estudos indicam que uma valorização excessiva de bens materiais pode reduzir a capacidade de sentir e expressar gratidão. Nesse sentido, a gratidão parece se fortalecer mais em contextos onde as relações e experiências são priorizadas em detrimento do acúmulo material.

Já em pesquisas mais antigas, como as de Baumgarten-Tramer (1938), observa-se que a forma como a gratidão é vivenciada também se relaciona com características de personalidade. Indivíduos com um perfil mais realista tendem a experimentar uma sensação de reconhecimento proporcional ao favor recebido, enquanto pessoas mais generosas podem sentir uma espécie de “dívida emocional” ampliada.


Um conceito complexo

Apesar de sua relevância, a gratidão ainda é considerada um conceito complexo na Psicologia. Isso ocorre porque ela pode ser compreendida de diferentes maneiras.

De acordo com Robert Emmons e Michael McCullough (2003), a gratidão pode ser entendida como:

  • uma emoção
  • uma atitude diante da vida
  • uma virtude moral
  • um hábito cultivado ao longo do tempo
  • um traço de personalidade
  • uma estratégia de enfrentamento (coping)

Essa multiplicidade de definições revela a riqueza do conceito, mas também explica por que ele é considerado, em certa medida, difícil de delimitar.


Considerações finais

A gratidão, mais do que um sentimento momentâneo, pode ser desenvolvida como uma prática cotidiana. Ao direcionar a atenção para aquilo que é recebido — sejam gestos, apoios ou experiências —, amplia-se a capacidade de reconhecer o valor das relações e da própria vida.

Trata-se, portanto, de um recurso psicológico relevante, que contribui não apenas para o bem-estar individual, mas também para a construção de vínculos mais saudáveis e significativos.


Referências

  • Melanie Klein. Inveja e gratidão: um estudo das fontes inconscientes. Rio de Janeiro: Imago, 1957-1974.
  • KOLLER, S. H. Gratidão em contextos de risco: uma relação possível? Revista Psicodebate Psicología, Cultura y Sociedad, v. 7, p. 55–66, 2006.
  • PIETA, M. A. M.; FREITAS, L. B. L. Sobre a gratidão. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 2009.

PIETA, Maria Adélia Minghelli  e  FREITAS, Lia Beatriz de Lucca. Sobre a gratidão. Arq. bras. psicol. [online]. 2009, vol.61, n.1 [citado  2023-12-11], pp. 100-108 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672009000100010&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1809-5267


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